sábado, 20 de agosto de 2011

DIA AZUL - IMPACTO DA VIDA


O mar serenava a alma
O corpo flutuava em plano aberto
Sensação nunca antes sentida: desapego à vida.
O silêncio permitia apenas o deslizar do recuo das ondas.
O mar não ousava avançar no silêncio, buscando saída.
A alma suspirava no dia nublado
Esperando uma noite em arco celeste
Onde um clarão riscaria o céu e se fecharia em azul marinho.
Tudo a dizer num silencioso murmúrio dobrado.
O mar quase estático, compadecido, permitia o deleite da alma decidida
E para proteção, exalou uma invisível camada.
Em impactos alternados, gaivotas marcavam dó maior
Rompiam a intocável barreira formada.
De propósito, brincavam na tentativa de sobrevida
Rangendo no silêncio glorificado
Final da saída.
O mar pactuava com a divindade estabelecida
Compreendia o puro e silencioso sentimento do ser
Pelas marés cheias e maresias vividas.
A cada invasão das gaivotas em busca da vida
A alma mergulhava lentamente
Enquanto o mar entoava a mais leve cantiga
Serenando amor, simplesmente.
Lêda Couto

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