sábado, 20 de agosto de 2011

DIA AZUL - IMPACTO DA VIDA


O mar serenava a alma
O corpo flutuava em plano aberto
Sensação nunca antes sentida: desapego à vida.
O silêncio permitia apenas o deslizar do recuo das ondas.
O mar não ousava avançar no silêncio, buscando saída.
A alma suspirava no dia nublado
Esperando uma noite em arco celeste
Onde um clarão riscaria o céu e se fecharia em azul marinho.
Tudo a dizer num silencioso murmúrio dobrado.
O mar quase estático, compadecido, permitia o deleite da alma decidida
E para proteção, exalou uma invisível camada.
Em impactos alternados, gaivotas marcavam dó maior
Rompiam a intocável barreira formada.
De propósito, brincavam na tentativa de sobrevida
Rangendo no silêncio glorificado
Final da saída.
O mar pactuava com a divindade estabelecida
Compreendia o puro e silencioso sentimento do ser
Pelas marés cheias e maresias vividas.
A cada invasão das gaivotas em busca da vida
A alma mergulhava lentamente
Enquanto o mar entoava a mais leve cantiga
Serenando amor, simplesmente.
Lêda Couto

(...) Areias...

O tempo passava e aqueles olhos na estante, observavam cada vez mais:
- Os livros, cada qual a seu modo, várias literaturas, velocidades ou, paragens do pensar, (e)levando o leitor à pontos outros de vista.
E, em instantes vários, os olhos, em dias de chuva, gotejavam-se pelas páginas de autores de outras terras, de dias quentes na página 5 de um livro sobre a África Setentrional. E sem perceber embalava-se em vertigens por estar caminhando (a)tempos no deserto, à espera de estâncias menos áridas, de ventos trazendo o frescor de horas amenas e silenciosas que, desaguando em rios, não os mesmos transbordados aos olhos, seguem em seus caminhos desenhando em cores, a paisagem viva de seus entornos e contornos.
O olho, mesmo em desertos, sabe o Norte, Sul e Oeste de algumas de suas ilustrações do mundo, de textos já lidos e dos ainda por terminar. De seus traços e rabiscos sobre um determinado ponto, mais em vista o ponto de fuga.
...
Gustavo felix

terça-feira, 5 de julho de 2011

Vermelho


As pétalas no rosto,
escorrem as gotas de saudade,
do orvalhar da madrugada.
As cores e perfumes,
dançam aos sentidos,
encobrem as marcas deixadas pelas estações.
Poda a poda,
as cores tornaram-se mais vívidas,
as raízes mais firmes,
e no desabrochar,
de sóis e luas,
a certeza do seguir,
adoçando,
olhos e bocas,
como alimento
aos que traçam seu caminho em flor!
Gustavo felix

sábado, 18 de junho de 2011

Troca de corações meninos

A menina nasceu em um lar patológico – não havia lugar para ela. –
Ficava sozinha no quintal para não atrapalhar – sua presença incomodava.
Sozinha aproveitava para praticar experiências mentais: concentração, fixação, disciplina, etc...
O menino trabalhava em pequenos serviços no quintal. Tinha muitos irmãos, era o 2º. Ajudava em casa. Terminava o trabalho bem rápido para brincar com a pequena.
Ela pensava que ele sentia falta dos irmãos, ficava com pena e brincava com Ele.
Eram estradinhas, vendinhas, ponte e campinhos. Boizinhos de xuxu, dinheiro de folhas do cafeeiro.
O menino foi embora, o tempo passou. A menina cresceu, continuou sozinha.
Certa noite tendo saído por ordem de sua mãe, vagava pelas ruas, só, absorta em seus pensamentos...
De repente alguém segura-lhe o braço:
- “Sozinha como sempre!...”
Ela tenta disfarçar:
- “Antes só que mau acompanhada, mas você está muito bem acompanhado, é uma moça muito simpática.”
Ele acrescenta:
- Esta é a criança mais triste que eu já conheci, ficava sozinha, sentada na raiz de um abacateiro, no fundo do quintal, olhando as mãozinhas. Eu fazia meu trabalho rápido para brincar com ela, de tanta pena que sentia!
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Trocas de Corações meninos!
Glinka Stransky

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Mujer en Andalucía



Ella se deshace por hacer.
Por querer más atención,
Que no existe.

Ella,
Peinou los pelos hasta perdelos,
En los oscuros cajones de peines y deseos
Que Ellos,
Nunca supieron desvendar.

Ella, ahora,
En el bar adonde está
Perdida, se rehace.

Pidió un vaso helado de recuerdos
Y lo derramó en el vacío de las  horas.


***

Igrejinha com pipa


No meio da cidade,
Uma cratera acesa.
Os meninos,
suas pipas,
terra e poeira
junto a um ar de sinos,
e céus coloniais.
Um barranco,
duras unhas de barro.
Rabiolas, revólveres e ruas.
Um prédio,
Vários no entorno.
Eu na sala,
aceso,
como flecha desferida ao vento.
Marrons e brancos...
Mistura!
Úmidos verdes,
de cada lado
em cada altura
de cada esquina...
D’um céu fumaça,
pássaros engarrafados
Num trânsito panorâmico
De idéias avulsas...
n’um papel em branco!
Gustavo felix

sábado, 7 de maio de 2011

Compondo uma cor em Mi menor

Pega-se um som. Um som qualquer, desde que esteja dentro da escala de Mi menor. Então, você diz, não seria um som qualquer e sim uma nota. Mas todo som equivale a alguma nota, desde que se faça um estudo para se obter a definição exata de qual seria a nota daquele som dentro da escala musical que nós, pobres e exatos ocidentais, usamos.
Após pegar esse som, seja com as mãos, com os ouvidos ou com a mente, eleva-se esse material até que comece a ganhar cor, fria ou quente. Se quiser uma cor mais fria, pode-se mergulhar o som em materiais aquosos. Se quiser uma cor mais quente, pode-se friccioná-lo a grande velocidade até alcançar a tonalidade desejada.
Pronto! Você terá uma bela cor que solfejará em Mi menor, podendo ser usada em gravações de estúdios, shows ao vivo ou jams com os amigos pintores e/ou músicos.

Jackson Abacatu